Get the Flash Player to see the slideshow.

Cultura na Vila da Juaba - CAMETÁ - PA

Arquivado em Pesquisa | 31, August 2009 | → 12 comentários!

A Vila da Juaba se encontra na cidade de Cametá-PA, fundada no início do século XX, na beira do Rio Tocantins. Seu surgimento se dá após a abolição com o abandono do Quilombo do Mola por parte dos quilombolas. Aos poucos esta vila ribeirinha passou a ser o centro de encontro dos moradores da região. Se trata de uma vila simples de extrema riqueza cultural que, como outras diversas comunidades do nosso País, vive à margem dos interesses públicos e privados.
Por três vezes o Selo Mundo Melhor esteve na vila, duas delas para a festa de Nossa Senhora do Rosário feita pelo Bambaê do Rosário (em 2006 e 2008) e uma vez para uma edição (de 2007) do Festival de Cultura que existe na vila a mais de vinte anos.
Várias das manifestações culturais da Vila de Juaba vivem à beira da extinção pela falta de uma verdadeira política pública de conservação cultural e pelo escasso interesse das gerações mais novas em darem prosseguimento às tradições. O intento de nossos registros, além do interesse musical e artístico, é também o de instigar a atenção das pessoas da própria vila, do Estado e do nosso País para estas tradições que aqui trataremos:

- Ladainha
Serviço religioso realizado por pessoas da comunidade, consiste numa Missa em latim a 4 vozes. Atualmente esta manifestação não tem tido prosseguimento, este registro foi feito especialmente para o Selo Mundo Melhor.

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

- Bambaê do Rosário
Tradição religiosa afro brasileira em louvor a Nossa Senhora do Rosário que possui muitas semelhanças com os Congos e Moçambiques de outras regiões do País. As pessoas mais velhas da comunidade contam que a festa veio do Quilombo do Mola para a vila da Juaba trazida pela líder negra Maria Piriá, que era a chefe do grupo. Felizmente, esta festa perdura até nossos dias e conta com transformações que a modernizam e atualizam, como a presença de mulheres dançantes, conquista de menos de vinte anos.
A festa de Nossa Senhora do Rosário realizada em Outubro é a mais importante da vila, apesar da vila ter como padroeiro São José. Nos dias da festa pessoas que moram longe voltam para rever parentes e festejar o Rosário de Maria. Atualmente a Irmandade do Rosário, que por tradição e história é quem organiza a festa, tem enfrentado problemas junto à Igreja de Cametá que vem tentando assumir o comando da festa. O mesmo ocorre em outras localidades como em Osório-RS, onde a igreja tenta dirigir a festa, desrespeitando a organização do Moçambique.

O festejo começa com uma romaria fluvial que forja a busca da imagem da santa pelas ilhas no rio Tocantins. No mesmo dia dá-se início ao Novenário que prossegue até o penúltimo dia da festa. Durante esses dias ocorre a busca do rei e da rainha em seus palácios para participarem da novena. O rei e rainha deste festejo são caracterizados sempre por crianças que estão pagando promessa para Nossa Senhora do Rosário; da mesma forma acontece a participação dos dançantes. Dança-se de acordo com a promessa (um ou dois anos, ou como foi prometido ao santo), em alguns casos o dançante “pega gosto” pela dança e segue nos festejos, como são os casos de Seu Loló, Toró (que hoje que toca caixa e faz a segunda voz com seu Loló), Donga, Seu Dilo, Josilene e todos os outros que ainda mantém essa tradição.
Durante a festa os brincantes esmolam pela vila e, com os donativos recolhidos, fazem leilão no último dia do festejo. É no penúltimo sábado de Outubro que acontece o grande dia da festa, às 6 da manhã dá-se início a uma lindíssima alvorada que dura 15 minutos com o céu ainda escuro. Ao final da alvorada, que coincide com o nascer do dia, os participantes cantam a quatro vozes. A polifonia vocal nos parece ser realmente uma característica especial desta comunidade, uma possível elucidação para este fenômeno pode ser a entrada da Missa da Ladainha no quilombo que teria influenciado todas as tradições culturais desta comunidade, como observamos em outras comunidades do Pará.
Após o Alvorada todos voltam para casa e as 9 da manhã vão ate o Palácio do Rei e da Rainha buscá-los para a Missa. Após a Missa os levam de volta ao Palácio e oficialmente acaba o “Reinado deste ano”, mais atarde ainda temos a procissão pela vila, aonde vemos as crianças vestidas de Saci,que são mães pagando promessa para N S do Rosário, após a procissão o Bambaê vai para a praça e se despede até o próximo ano.
“ A despedida do bambaê,
Até para o ano
Se nós não morrer”
Onde todos se confraternizam e voltam as suas vidas normais.

Veremos em duas partes um vídeo da Alvorada, do Bambaê, outro levando o rei e a rainha para a Missa e também o grupo cantando dentro do “Palácio”.

- Samba de Cacete

Manifestação musical que servia normalmente como preparativo para os mutirões de colheitas. O início desta brincadeira se dá na noite anterior à colheita, os brincantes dançam até a manhã seguinte e seguem diretamente para colher o plantio da família que promove o mutirão. Encontramos esta mesma manifestação em outras localidades da região.

- Banguê

Essa é uma antiga dança de salão, de origens anteriores à chegada da eletricidade e do rádio. Se trata de uma música com instrumentação variada, instrumentos de cordas, violão com função de violão de 7 cordas, banjo, cavaco e várias percussões como pandeiros, cuícas e reco reco. No Bangüê permanece a riqueza das 4 vozes. Com a perda da função social do divertimento, o Bangüê vive atualmente uma situação de abandono e esquecimento. Existem hoje em dia dois grupos na vila da Juaba, o Pingo de Ouro 1 e o 2. ((Será um outro post))

- Boi Bumbá Campineiro

Segundo a própria comunidade da vila, este boi existe a mais de 70 anos. Este também é um registro especial, pois a brincadeira não se realizava a mais de um ano e meio. Organizou-se uma pequena brincadeira para este registro do Selo Mundo Melhor na casa de seu Loló, que é, além de Amo do Boi Campineiro, líder do Bambaê do Rosário desde que Seu Procópio, pessoa muito importante na comunidade, se afastou por motivos de saúde.

Esse boi possui uma característica especial: a ausência de tambores. Esta particularidade é intrigante, pois esta comunidade costuma usar os tambores em todas as outras manifestações com instrumentos, o que é certamente um reflexo de suas origens de quilombo. Nos pareceu fortemente provável uma influência indígena nessa brincadeira, graças a uma possível convivência entre índios e negros no Quilombo do Mola. Assim como as outras manifestações musicais, aqui também é presente a polifonia vocal. O repertório deste boi é próprio e em nada nos lembra o Boi do Maranhão e verificamos a presença do Auto da Matança do Boi com todos os personagens da brincadeira.

(( Em breve virá o material sobre o boi.))

Arquivado emPesquisa

→ 12 comentários!

  • 1 elaine tavares // Oct 9, 2009 at 6:05 am

    adorei saber q existe um site conta a história da minha terra natal, amei as fotos e todo o conteúdo.

  • 2 Joao Carvalho // Dec 14, 2009 at 7:28 am

    voltei aos anos 60, revi toda a historia de minha terra, estou muito contente um forte abraço para todos os juabenses

  • 3 JOSADACK BAPTISTA // Jan 6, 2010 at 5:25 pm

    ADOREI O CONTEUDO DO SITE….MOSTRA COMO REALMENTE NOSSA CULTURA JUABENSE É TÃO RICA, PORÉM MUITAS VEZES ESQUECIDA ATÉ MESMO POR NOS QUE MORAMOS AQUI NO JUABA E NAO APREDEMOS A VALORIZAR O QUE É NOSSO , APENAS O QUE VEM DE FORA ( culturas alheias) POR FALTA DE POLITICA PULBLICA, E RIDICULARIZAÇÃO DO QUE É NOSSO.
    PARABÉNS PELO TRABALHO….

  • 4 RAFAEL // Jan 10, 2010 at 9:51 am

    A CIDADE MAIS LINDA DO MUNDO E CAMETA A MINHA FAMILIA DE LA R DECAMETA SI DEUS QUIR ZER NOS ESTAREMOS LA EM NOME DE JESUS PRA TUDO TEM O SEU TEMPO

  • 5 Anderson Arnaud // Jan 21, 2010 at 7:10 pm

    Essa é minha terra querida, terra de povo hospitaleiro, que recebe todos de braços abertos. É a terra do Bambaê, da Bicharada, do Samba de Cacete, do Engole Cobra, da Dança dos Negros e outras tantas,somos a terra da cultura fazendo arte mostramos a nossa personalidade e através de nossa personalidade a cultura de um povo. Povo este que ostenta com orgulho a bandeira de ser a terra da cultura cametaense, obrigado selo mundo melhor em nome todos os juabense.

  • 6 larissa // Feb 20, 2010 at 1:56 pm

    Foi MAAAARA, tipo, me ajudou muito.

  • 7 GILBERTO ARNOUD // Mar 13, 2010 at 7:17 am

    ESTIVE NESTA VILA EM 2009, PARTICIPEI DE TODAS AS MANIFESTAÇÕES CULTURAIS E RELIGIOSAS, FIQUEI ENCANTADO COM O ORGULHO DAQUELE POVO POR SUA CULTURA. SÃO UM BOM EXEMPLO A SER SEGUIDO. ABRAÇOS FRATERNOS AOS CORDENADORES DO FESTIVAL SEU zÉ NÓBIO E SEU FILHO JANIO.

  • 8 Manoel Farias // May 16, 2010 at 9:49 am

    faz mais de trinta anos que nao vou ao juaba mas lembro com muita saudade desta festa religiosa,meu pai sempre paticipava e ajuda financeiramete nessa festa bela cultural.adorei o site obridado.

  • 9 Lúcio Arnaud // Jul 6, 2010 at 4:09 pm

    Precisamos imortalizar nossa cultura e não deixar que desapareça. A modernidade está sucumbindo de maneira voraz e desenfreada tudo que conhecemos quando criança. Fui criado ao meio a essa cultura e fico em nostalgia ao presenciar tais manifestações que me fizeram por um instante retornar a minha adolescência de brincadeiras à rua e a expectativa das festividades de Nossa senhora do Rosário e São José. Todos que aparecem nas fotos são facilmente identificados, inclusive alguns já não estão entre nós, como o seu Preocópio, um baluarte do Bambaê do Rosário. Aqui fica o meu reconhecimento pelo esforço de todos em manter a Cultura Juabense viva por todos esses anos. Que apareçam outros para dar continuidade antes que haja uma descontinuidade e consequentemente o esquecimento. Parabenizo o SeloMundo pela ação de preservação, continuem com esse belíssimo trabalho.

  • 10 ciane // Jul 19, 2010 at 12:28 pm

    amo essa vila faz tempo que não vou lá, mas tô morrendo de saudades!!!é sem duvidas um lugar rico em cultura e habitada por pessoas hospitaleiras, fico muito orgulhosa por ter nascido lá. amei a matéria!!!

  • 11 wellington // Aug 14, 2010 at 7:19 am

    Amo essa vila de coração, todos as férias eu vou pra lá!Lamento muito pelo tio procópio e Pedrinho
    me emocionei depois de ter visto as fotos deles aí…
    Sou neto do idalino( mais conhecido como jararáca) e me orgulho de ter raízes lá. adorei a matéria!

  • 12 elsinei gomes // Aug 14, 2010 at 6:08 pm

    conheço a vila de juaba e a cultura da vila que é maravilhosa as danças as brincadeira etc.e o lugar que é maravilhoso assim que posso vou visita, a vila um abraço a todos da vila de juaba.

Deixe o seu comentário